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Edelson Nagues (nome literário de Edelson Rodrigues Nascimento) – Mato-grossense (natural de Rondonópolis) radicado em Brasília, é poeta, escritor, revisor de textos e servidor público. Estudou Direito (na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, em Cuiabá) e Filosofia (na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, em Natal), com pós-graduação em Língua Portuguesa (pelo Centro Universitário UniCeub, em Brasília). Premiações. Entre suas premiações literárias, destacam-se: VI, VII e VIII Festivais de Poesia Falada de São Fidélis/RJ (2012, 2013 e 2014 – 1º e 2º lugares e finalista, respectivamente), Concurso de Poesia Autores S/A (Rio de Janeiro/RJ, 2014 – 1º lugar na fase classificatória [562 inscritos]), Concurso Nacional de Poesia “Adilson Reis dos Santos” (Ponta Grossa/PR, 2012 – 1º lugar), X Prêmio Literário Livraria Asabeça (São Paulo/SP, 2011 – 1º lugar na Região Centro-Oeste), XXXIII Concurso de Poesia “Fellipe d’Oliveira” (Santa Maria/RS, 2011 – 3º lugar), I Concurso Literário da AMLAC (Vinhedo/SP, 2011 – 2º lugar, categoria Conto), XII FestCampos de Poesia Falada (Campos dos Goytacazes/RJ, 2011 – 4º lugar), XXI Concurso Nacional de Contos “José Cândido de Carvalho” (Campos dos Goytacazes/RJ, 2011 – 6º lugar), Concurso Novo Milênio de Literatura (Vila Velha/ES, 2010 – 1º lugar, categoria Conto), IV Concurso Nacional de Contos do SESC-Amazonas (Manaus/AM, 2010 – 5º lugar), VI Desafio dos Escritores (Brasília/DF, 2010 – 2º lugar na categoria Poesia e prêmio de melhor poema), Prêmio Literário “Teixeira de Sousa” (Cabo Frio/RJ, 2010 – 5º lugar, categoria Conto) e II Concurso Literário “Rachel de Queiroz” (Brasília/DF, 2008 – 3º lugar, categoria Conto), entre outros. Publicações. É colunista da revista eletrônica Samizdat e tem textos publicados em antologias, sites e blogs literários diversos, destacando-se as revistas eletrônicas Biografia e Zunái. Em 2012, publicou os livros Humanos (de contos) e Águas de clausura (de poesia – vencedor do X Prêmio Literário Livraria Asabeça), ambos pela Scortecci Editora. Em 2013, teve poemas musicados por Anand Rao, no CD Anand Rao musica poemas de Edelson Nagues

CAUDAL

Singro o rio multifário

das verdades ocultas,

das hordas dissimuladas

desses homens absurdos.

Sinto-me também absurdo,

nestas águas de clausura.

E tanto – sutil paradoxo –,

que me liquefaço, inerme,

pela correnteza atroz.

Para que nasça, de mim,

um ser que resuma tantos,

como parte da carência,

como projeção em outros

tão iguais e tão diferentes

entre si, entre todos. Entre

fios de redes ancestrais,

que submetem ao destempo.

Este rio caudal, que anseia

um mar sereno (horizonte

obliterado): deságue

de seus veios transversais,

repletos de anomalias

em corpos boiando no limbo,

com a alma dilacerada 

pela negação e o desdém

de seres também anômalos.

Estranho que sou, de mim.

Eles (o espelho que evito)

me cindem e me englobam.

Eles me são. Enquanto sangro,

nas vagas da incompletude.

Às vezes, em versos vãos;

noutras, em orgasmos tristes

(gestos vagos, pela ausência

de um olhar que os ilumine).

Esperança per se:

seres em si e nos outros.

Mãos que, assim, delineiem

um mar ainda possível.

________________

SEPARAÇÃO

O relógio, pênsil,

na parede fosca,

marca o descompasso

de uma hora morta.

Um vulto autômato

atravessa a casa;

curva-se o silêncio

num canto da sala.

As mãos, já estranhas,

em vagar confuso,

tateiam os mapas

de apartados mundos.

Do quarto, o retrato,

que jaz em decúbito,

será esquecido,

como peso inútil.

Na despensa escura,

da qual não há chave,

rancor em conserva

no sal das palavras.

Há dor, no interstício

do arrependimento,

que arrebenta portas,

sem sair de dentro.

Há cacos de vidro

no chão e nos olhos:

sem foco, a imagem

que sai, vida afora.

Há, enfim, o choro

não compartilhado,

de quem fica, indo,

e de quem nem sabe.

_________________

FAZENDA

O galo trazia a aurora.

E o cheiro de café quente

confortava os corações.

No curral, o leite em neve

aquecia nossa espera

– crianças no seio da vida.

Um pouco além, ainda cedo,

meu pai deflorando a terra,

com seu arado de luz.

Minha mãe cerzia o tempo,

com finos fios de ouro

nascidos de suas mãos.

Minha irmã se balançando,

pendurada nos dentes do dia,

na gangorra do bem-querer.

Minha avó, no quarto de cima,

penteava nuvens cinzentas,

com dedos de esquecimento.

Os irmãos, tremeluzindo,

nadávamos nus no riacho

– pássaros soltos no mundo.

E tios, vizinhos, amigos,

ao redor de uma fogueira

– pirilampos ao lusco-fusco.

Os primos, vindos em bando:

e uma alcateia de gritos

rasgava o ventre da noite.

* * *

Esse quadro ainda existe,

trancado em algum lugar,

na masmorra da memória.

Só não existe o menino,

que a cidade engoliu,

com seu hálito de enxofre.

Edelson Nagues

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